Filosofia Babilônica - O diálogo do pessimismo


I - Dirigir ao palácio

- Escravo, ouça-me!
- Aqui estou, mestre, aqui estou!
- Rápido! Traga-me uma carruagem e prepare-a. Eu quero dirigir ao palácio.
- Dirigir, mestre, dirigir! Isso vai ser uma vantagem. Quando ele o vir, o rei lhe prestará honras.
- Oh, bem, escravo, eu não vou dirigir ao palácio!
- Não dirija, mestre, não dirija! Quando ele o vir, o rei pode te mandar só deus sabe para onde, ele pode fazê-lo seguir uma rota que você não conhece, ele pode fazer você sofrer uma agonia dia e noite.

II - Banquete


- Escravo, ouça-me!
- Aqui estou, mestre, aqui estou.
- Rápido! Traga-me água para minhas mãos. Eu quero jantar!
- Jantar, mestre, jantar! Uma boa refeição relaxa a mente! [TEXTO FALTANDO] a refeição de seu deus. Lavar as mãos passa o tempo!
- Oh, bem, escravo, eu não vou jantar!
- Não jante, mestre, não jante! Comer apenas quando se está com fome, beber apenas quando se está com sede. É melhor para o homem!

III - Caça

- Escravo, ouça-me!
- Aqui estou, mestre, aqui estou.
- Rápido! Traga-me minha carruagem. Eu quero caçar!
- Caçar, mestre, caçar! Um caçador tem sua barriga cheia! O cachorro de caça vai quebrar os ossos da presa! O corvo que sonda pode alimentar seu ninho! O asno fugaz encontra pastos ricos!
- Oh, bem, escravo, eu não vou caçar!
- Não vá, mestre, não vá! A sorte do caçador muda! Os dentes do cachorro de caça vão se quebrar! O corvo que sonda faz um buraco na parede como seu lar. O asno fugaz tem o deserto como seu estábulo?

IV - Casamento

- Escravo, ouça-me!
- Aqui estou, mestre, aqui estou.
- Eu quero fazer um lar, eu quero ter um filho!
- Tenha-os, mestre, tenha-os! O homem que faz um lar [FALTA TEXTO] Como pode eu fazer um lar! Não faça um lar; caso contrário, você vai quebrar a casa de seu pai.

V - Litigação

Somente fragmentos deste stanza sobraram. Eles permitem-nos ver que o mestre vai à corte (leia "côrte"). Para isso, ele decide primeiro deixar seu oponente agir, sem dizer uma palavra. Depois, mudando de ideia como sempre, ele não quer ficar mais em silêncio.

- Não fique em silêncio, mestre, não fique em silêncio! Se você não abrir sua boca, seu oponente vai ter a mão livre! Os fiscais vão ser selvagens com você.

VI - Revolução

- Escravo, ouça-me!
- Aqui estou, mestre, aqui estou.
- Eu quero conduzir uma revolução!
- Então conduza, mestre, conduza! Se você não conduzir uma revolução, de onde virão suas roupas? E quem vai garantir que você vai encher sua barriga?
- Oh, bem, escravo, eu não quero conduzir uma revolução!
- Não conduza, mestre, não conduza! O homem que conduz uma revolução é morto ou esfolado. Ou seus olhos são arrancados, ou é preso e jogado na cadeia!

VII - Fazer amor

- Escravo, ouça-me!
- Aqui estou, mestre, aqui estou.
- Eu quero fazer amor com uma mulher!
- Faça amor, mestre, faça amor! O homem que faz amor com uma mulher esquece o sofrimento e o medo!
- Oh, bem, escravo, eu não quero fazer amor com uma mulher!
- Não faça amor, mestre, não faça amor! A mulher é uma verdadeira cilada, um buraco, uma trincheira. A mulher é uma faca de ferro afiada que corta a garganta do homem!

VIII - Sacrifício

- Escravo, ouça-me!
- Aqui estou, mestre, aqui estou.
- Rápido! Arranje água para minhas mãos e me dê. Eu quero fazer um sacrifício para um deus.
- Faça um sacrifício, mestre, faça um sacrifício! O homem que faz sacrifícios para seu deus é satisfeito no coração. Ele acumula benefício atrás de benefício.
- Oh, bem, escravo, eu não quero fazer sacrifício para meu deus!
- Não faça um sacrifício, mestre, não faça um sacrifício! Você vai ensinar a seu deus a correr atrás de você como um cachorro. Se ele pedir de você "ritos" ou "você não consulta seu deus?" ou algo mais!

IX - Negócio

- Escravo, ouça-me!
- Aqui estou, mestre, aqui estou.
- Eu quero investir em prata.
- Invista, mestre, invista. O homem que investe mantém seu capital enquanto seu interesse é enorme!
- Oh, bem, escravo, eu não quero investir em prata!
- Não invista, mestre, não invista! Fazer empréstimos é tão doce quanto fazer amor, mas pegar de volta é como ter filhos! Vão tirar de você seu capital, amaldiçoando você sem cessar. Vão fazer você perder o interesse no capital!

X - Filantropia

- Escravo, ouça-me!
- Aqui estou, mestre, aqui estou.
- Eu quero realizar um benefício público para meu país!
- Então faça isso, mestre, faça isso! O homem que realiza um benefício público para seu país, suas ações são expostas ao círculo de Marduk*!
- Oh, bem, escravo, eu não quero realizar um benefício público para meu país!
- Não realize, mestre, não realize! Vá aos antigos e ande. Veja os crânios misturados de plebeus e nobres. Quais são os malfeitores e os benfeitores?

* Marduk é um deus protector da cidade da Babilônia, pertencente a uma geração tardia de deuses da antiga Mesopotâmia.

XI - Conclusão

- Escravo, ouça-me!
- Aqui estou, mestre, aqui estou.
- O que então é bom? Ter meu pescoço e o seu quebrado, ou ser jogado no rio, isso é bom?
- Quem é tão alto a ponto de ascender aos céus? Quem é tão largo a ponto de rodear o mundo?
- Oh, bem, escravo, eu vou matá-lo e enviá-lo primeiro!
- Sim, mas meu mestre certamente não sobreviveria sem mim por três dias!...


Explicação do final gerada pelo ChatGPT:

O final do texto é uma reflexão filosófica sobre a natureza da vida e da morte. O mestre, após considerar todas as opções apresentadas pelo escravo, questiona o que é realmente bom ou valioso na vida. O escravo responde com uma pergunta retórica, destacando a insignificância humana em comparação com a vastidão do universo. O mestre, então, faz uma ameaça de morte ao escravo, mas este responde com uma observação irônica sobre a dependência do mestre em relação a ele.

O significado geral da passagem é a ideia de que a vida é efêmera e frágil, e que muitas das coisas pelas quais as pessoas lutam e se preocupam são, no final das contas, insignificantes. A ironia final do escravo sugere que o poder e a autoridade do mestre são relativos e dependem do apoio e dos esforços dos outros.

Traduzido de:
http://www.gatewaystobabylon.com/myths/texts/classic/dialoguepessimism.htm

Comentários

  1. Este texto me faz lembrar aquela frase "Tudo tem seu lado bom e seu lado ruim!" Pois fazer ou não fazer algo pode ser bom ou ruim dependendo da perspectiva. :)

    De onde/quando é este texto mesmo?

    ResponderExcluir
  2. Foi escrito pouco depois de 1000 a.C. na Mesopotâmia, onde seria a Babilônia. Faz parte de uma filosofia comparável à literatura da sabedoria, da Bíblia. Foi encontrado em placas de argila na escrita cuneiforme.

    Informações:
    http://en.wikipedia.org/wiki/Dialogue_of_Pessimism

    ResponderExcluir
  3. O que é escrita cuneiforme? Acho que vi algo nas aulas de história, mas faz tanto tempo que nem lembro mais. :P

    ResponderExcluir
  4. Aqui tem vários exemplos:
    http://en.wikipedia.org/wiki/Cuneiform

    ResponderExcluir

Postar um comentário